Pra quem não sabe, sou funcionária pública, concursada, que fique claro. Não que isso seja grande coisa, mas tem lá suas diferenças, estabilidade é umas delas. O fato é que sou ACD, para os leigos, auxiliar de consultório dentário. E talvez você esteja se questionando: o que uma guria que estuda Jornalismo está fazendo trabalhando na área da saúde? Pois eu lhes respondo, estou pagando minhas contas..haha.
Curiosamente, até hoje, sempre trabalhei na área da saúde, e confesso que é uma área que gosto, se eu não tivesse optado por comunicação, essa seria minha segunda escolha. Estágio na minha área paga muito pouco, quase nada. O emprego que eu tenho hoje me permite pagar as contas, faculdade, ter meu lazer…não é o bastante? Eu acho que sim. Tem gente que estranha, ou torce o nariz quando digo que estudo tal coisa e trabalho em outra área. Mas respondo sempre o mesmo: “Não posso me dar ao luxo de ser estagiária de jornalismo e ganhar pouco”, não agora. Depois eu corro atrás. Tudo tem seu tempo, e seu preço.
Semestre passado fiz a cadeira de Redação III, onte tínhamos por tarefa fazer uma crônica. Assunto? Livre! (Só aí percebemos o quanto é difícil quando nos é dada muita liberdade, reclamamos das limitações e restrições, mas o contrário também dificulta). Pois bem, decidi escrever sobre a minha rotina no trabalho. Eis abaixo a minha crônica:
Tesão pela extração
Nunca imaginei tamanha adoração das pessoas por arrancarem os dentes. É uma realidade por mim desconhecida até tornar-me funcionária pública em um Posto de Saúde de um bairro carente. O cargo? Auxiliar de consultório dentário. Como tal, presencio situações das mais diversas, mas nenhuma supera o recorde dos atendimentos, a extração.
Há quem tema a visita ao dentista, seja pelo barulho do motorzinho, a cadeira intimidadora, objetos estranhos não identificados, mas lhes garanto, grande parte da população superou o medo, e aderiu à moda da extração. Não há anestesia, agulha ou alicates monstruosos que impeçam as Marias e os Josés de resolverem seus problemas da forma mais fácil e rápida. Livrando-se de alguns dentes que parecem estar sobrando na boca, o que sempre ouvimos desde criança sobre escovação para manter os dentes na boca, vai por água abaixo.
Se o dente incomoda, dói, não te permite comer ou sequer dormir, vai ver é porque está na hora de se livrar dele. A mãe insiste para extrair o dente do filho, pouca importa se é de leite, permanente, nessa hora vale tudo, até mesmo ficar banguela. Os mais idosos querem arrancar para poder fazer uma bela chapa, o problema é quando não o fazem. Até hoje me questiono como alguns conseguem se alimentar, pois há mais dentes fora da boca do que dentro.
É mais fácil prevenir do que remediar. Nesse caso é mais fácil arrancar do que cuidar. Modismos à parte, enquanto for possível, conservarei os dentes que ainda tenho, pois ninguém me garante que eles me farão companhia até a velhice.
Admiro a tua sensatez… quem dera eu fosse assim
Adoro teus textos. Logo, se Deus quiser, tu vais conseguir pagar as tuas contas com eles e inclusive, viajar para a Europa se quiseres, no verão! eles são muito bons!
Beeeeijos